Patrícia Madeira
Poesia
Ao som da jukebox

cona com óculos de piscina
pénis a abrir-se como guarda-chuva
ânus a fazer de jukebox e um umbigo por onde entram moedas
nádegas de onde nascem arbustos e vegetação rasteira
pestanas em pálpebras persianas
mamilos manchas de tinta falsa
seios em forma de abcessos gengivais
nuca em alicerces de veias e sangue
nariz mangueira de respiração
olhos circunferências cravejadas em amêndoas
lábios de esponja húmidos repletos de detergente
testa padrão insignificante de um tecido qualquer
orelhas colunas de som Hi-Fi stereo
sobrancelhas pêlos púbicos com reflexos prateados
anca em solavanco com apetrechos bélicos
mãos armazém e depósito de gestos

unhas lentes de contacto ressuscitadas
dedos molas de saltimbancos
queixo a mais alta prancha de mergulho
pernas submarinas e cambaleantes
virilhas páginas que se folheiam
vulva válvula sôfrega sugadora sugestiva
clitóris espinhos hirtos molhados
testículos matadouro cosmopolita
abdómen insuflável balão ascendente
ombros rampas deslizantes
cona ranhura por onde passam moedas
e pénis jukebox