Patrícia Madeira
LAU MIM
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2003, Temas e Debates
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Recortes de Imprensa

Público, Suplemento “Mil Folhas”, 4 de Outubro de 2003


Texto de Rita Pimenta

 

O Prazer de Matar a Barbie


Os 15 anos não são iguais para toda a gente. Ainda se lembra de como foram os seus? Pois então esqueça. Os 15 anos descritos em "Lau Mim" pouco têm que ver com esses.

Para Laura, que diz ser uma rapariga com "quase 16 anos", a vida não está a ser fácil. Se as mudanças do corpo a incomodam e a fazem passar horas ao espelho, as atitudes e manias de alguns amigos levam-na ao desespero. Isto sem contar com o ódio incontrolável à Barbie e ao Ken: "Assassinei-os com o requinte de uma verdadeira psicopata, arrancando a cabeleira loira da Barbie às mãos-cheias e rebentando com tesouradas, pausadas e constantes, o capachinho do Ken. Coloquei depois os seus despojos plásticos numa bacia com água colorida com tinta vermelha. A seguir, fiquei literalmente a olhar para o boneco com a sensação de missão cumprida" (pág. 34).

É este o tom geral da narrativa de Patrícia Madeira, que numa espécie de diário desvenda com verosimilhança a personalidade de Laura, uma rapariga portuguesa de classe média-alta que recusa considerar-se uma adolescente típica. Os pensamentos e vivências de Laura divertem e chocam quem os lê. Pelo que, e apesar de os 15 anos não serem iguais para todos, se sugere que quem leia este livro tenha, pelo menos, uma idade superior aos ditos.

Especificando com uma citação suave: "O Presidente da República, por exemplo. É difícil vê-lo todo retorcido numa sanita com uma diarreia monumental. Ou a Primeira-Dama a tirar catotas do nariz e a colá-las depois na saia Chanel para segurar a bainha. Ou o Sumo-Pontífice a coçar os tomates" (pág. 41).

Estará o leitor a ver a ideia? Esperemos que sim quanto à sugestão de idade. E que não relativamente ao resto.

A autora nasceu em Coimbra, em 1971, e este é o seu segundo livro de ficção, o primeiro teve por título "2001, Instantâneos de Sapo" (Oficina do Livro). Aprendeu japonês, participou numa obra sobre terapias orientais e actualmente colabora com a revista "Design & Arquitectura". Estudou no Porto, mas vive em Lisboa.

O título "Lau Mim" corresponde a uma frase de Laura, dita quando ainda era pequena e não sabia utilizar o "eu". Sem querer desvendar a circunstância em que a protagonista a profere, diga-se apenas que foi para assumir a culpa de uma grande tolice. Um episódio da história familiar que Laura adora que a mãe lhe repita infinitas vezes.

A par do "colo" que continua a exigir da família, Laura encontra-se a braços com as diferenças entre desejo e amor. E embora desconhecendo que tal dilema não se resolve aos 15 anos de ninguém, algo se acalma em Laura quando encontra um namorado com nome de gato: Gaspar.

"Lau Mim" tem ritmo, graça e verdade. Dá a conhecer bastante do que passa pela cabeça e pelo corpo de quem está na adolescência. Vodka, charros, pilas e dúvidas entram no livro com naturalidade. Sem sermão.
É exactamente sem sermão, mas com atenção, que o leitor "não adolescente" deve olhar para "Lau Mim". E se acaso se sentir tentado a contar os seus 15 anos ao adolescente mais próximo, prepare-se para ser olhado como a mais bizarra das jurássicas criaturas...




Revista “Evasões”, rubrica “Apetece Ler”, Outubro de 2003


Rica Adolescência


Laura é uma peste de quase 16 anos. Maria é uma miúda educada e polida. Curiosamente são a mesma pessoa… Lau Mim é a síntese de ambas e o nome de um romance para adolescentes. Lau Mim é uma rapariga singular que vive tudo como uma verdadeira aventura, desde a ida a exposições de arte moderna à descoberta dos cheiros de cada coisa, da relação com os pais aos amigos e primeiros namorados. Lau Mim é uma adolescente original no caminho rápido para a idade adulta.




Revista XIS, 16 de Agosto de 2003


GENTE XIS, texto de Sara Costa

 

PATRÍCIA MADEIRA

Escorpião, 31 anos, Coimbra. Patrícia Madeira descobriu a escrita em plena adolescência através dos livros da irmã. Agora lança o seu segundo livro de ficção, Lau Mim, muito divertido, sobre adolescentes, para quem ainda não deixou de o ser apesar da idade.

 

NUM MINUTO

 

Patrícia Madeira começou a escrever por volta dos 15 anos. Ia lendo os livros da irmã mais velha até que um dia descobriu um do poeta Mário de Sá-Carneiro e apaixonou-se definitivamente pela escrita, apesar de nunca ter decidido querer ser escritora. Hoje, já com o segundo livro de ficção nas bancas, ainda não se considera uma escritora e sabe que tem muito para aprender. Talvez por isso diga que não quer ficar vinculada a um estilo e os projectos que tem na calha passem também por uma curta-metragem e uma escrita mais virada para o guionismo, para além de um livro de contos.

Depois de ter frequentado, no Porto, o curso de Línguas e Literaturas Modernas, Patrícia Madeira chegou à conclusão que o seu gosto pela literatura não passa pelas figuras de estilo com que lhe ensinavam a perceber um livro. Por isso, resolveu estudar Publicidade e Marketing, área na qual trabalha como redactora.

Lau Mim, o seu mais recente livro, é sobre a adolescência, mas não para adolescentes, porque, como diz, rir dos problemas enquanto se está a passar por eles é complicado.

 

AS PERGUNTAS XIS

 

“Faz-me feliz amar e ser amada”

 

O que a faz feliz?

Amar e ser amada. Mas também coisas muito simples como jantar fora, ver um bom filme, dar um passeio na praia, brincar com cães.

 

Qual é a sua primeira recordação?

Quando me disfarcei de palhaço com seis anos, num carnaval.

 

Na vida, luta por quê?

Por ideais e por valores.

 

Era capaz de dar a vida por uma causa?

Depende da causa. Tinha de ser muito forte.

 

Já não há heróis?

Há heróis e heroínas.

 

Quem a marcou mais ao longo da vida?

A minha mãe e alguns escritores e realizadores de cinema.

 

Se fosse mágica mudava o quê em si?

Tornava-me mais bem disposta, sobretudo de manhã.

 

E nos outros?

Dava uma estrutura mais forte às pessoas em termos de valores. As pessoas perderam os ideais.

 

Apetece-lhe desistir quando...

Quando me chateiam! Não tenho muita paciência!

 

Sente-se realizada com...

Com os meus projectos e vê-los reconhecidos como, por exemplo, lançar um livro.

 

Ser amigo é...

Poder telefonar às três da manhã e ter alguém do outro lado que atende.

 

Qual a sua música preferida?

Se calhar La Mer, Prelude à L’ Après-Midi d’un Faune do Debussy.

 

O que faz quando não faz nada?

Nada. Tento nem pensar.